EM QUEM CONFIAR QUANDO A PROVAÇÃO ATINGE NOSSA FAMÍLIA?
Textos Bíblicos: Jó: 1: 22Introdução: Você sabe qual é o tema que mais gera calunia contra o nome de Deus?
O tema do sofrimento. (O sofrimento está por toda parte, penetra na casa do rico e do pobre, do culto e do inculto, do crente e do incrédulo, afeta adultos e crianças e até os animais e a natureza sofrem também)
Todos nós precisamos admitir que não é simples nem fácil associar o amor de Deus com o sofrimento. (Por isso se faz necessário estudar esse tema tendo em vista que todos nós passamos por lutas, privações e problemas de toda ordem)
Segundo o apóstolo São Paulo, o sofrimento é inevitável e pedagógico. (E nós podemos perceber isso em sua própria biografia)
Mas hoje nós vamos estudar sobre o sofrimento na família de Jó.
I. QUEM ERA JÓ?
A Bíblia nos diz que Jó era um homem rico que morava no deserto da Arabia. (O significado do seu nome é: Voltado para Deus)
O livro foi escrito por Moisés em Midiã enquanto apascentava as ovelhas do seu sogro Jetro. (provavelmente Jó foi contemporâneo de Moisés)
No capítulo 1 e verso 1 Jó é apresentado por Deus como um: “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal”. (1: 1)
Era um pai de família cujo currículo agradava a Deus. (Você como pai de família gostaria de ter um currículo assim?)
A biografia de Jó apresenta inicialmente uma família bem estruturada, com filhos unidos e sociáveis, sujeitos a influência dos pais e com um conceito de religiosidade bem refinado.
Tudo ia bem com Jó e com sua família até que inesperadamente uma grande provação se abateu sobre todos.
O que aconteceu com Jó pode acontecer com qualquer um de nós. (a notícia de desemprego, o diagnóstico de uma doença grave, um telefonema comunicando um acidente...)
Tudo isso pode ocorrer inesperadamente, sem aviso prévio, sem placa de sinalização, sem nenhum cartaz.
O dia da provação começa como qualquer outro dia. Começa com um sol brilhante e sem nuvens escuras, mas, de repente, chega uma notícia ruim... e só nos resta dizer: bem-vindo ao território de Jó.
O território de Jó é um mundo de tristezas e lágrimas, de dor, de questionamentos, de depressão, de desespero, de angústia, mas também de confiança e fé.
Será que eu estou falando nesse momento para alguma família que está pisando no território de Jó?
Talvez por que o pai da família está desempregado, talvez por que neste momento está com muitas dívidas, talvez porque a mãe está com alguma doença grave, talvez por que algum dos filhos está envolvido com drogas, talvez por que uma das filhas ficou gravida sem ser casada ou talvez por que o casamento está em crise?
Seja qual for a sua situação eu quero lhe convidar agora para conhecer teoricamente o território de Jó.
Do capítulo 1 e verso 1 até o verso 5 tudo vai bem com Jó e sua família. Mas, a partir do verso 6 tudo muda. (fecha-se uma cortina na terra, abre-se uma cortina no céu e surge um novo cenário)
Esse novo cenário apresenta uma reunião no céu. (Satanás está presente)
Deus lhe pergunta: “Donde vens?” (7) – Satanás reponde: “De rodear a terra e passear por ela” (7) (percebam que com arrogância ele se refere a terra como sendo seu domínio)
Percebendo sua malicia Deus novamente pergunta: “Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal”. (8) (em outras palavras: eu tenho um servo fiel no lugar que você diz que domina)
Satanás revelando sua velha natureza acusa a Deus de favorecimento.
Acusar é especialidade de Satanás (Apocalipse 12: 9 e 10) descreve sua natureza – “sedutor e acusador”.
O único homem que pisou nessa terra e não foi acusado por Satanás foi Jesus, por que Jesus não foi seduzido por Satanás, logo ele não pode acusá-lo de nada. (Satanás só pode acusar aqueles a quem ele consegue seduzir)
No capítulo 1 e no verso 11 Satanás estimula Deus a praticar o mal contra Jó. “Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.”
Deus deixa claro que Satanás é o autor do sofrimento.
Deus o reprende dizendo: “estenda você a sua mão contra tudo o que ele tem – mas não toque nele”. (12)
Tudo o que aconteceu em seguida você já sabe. (começa uma luta entre o bem e o mal)
Satanás desfere golpes de injustiça contra Jó e sua família.
Jó se defende com muita fé. Ouçam suas palavras depois de ter perdido todos os seus filhos e os seus bens: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (1: 21).
Eu amo o verso 22 por que diz: “Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.” (1: 22)
Você deve estar se perguntando: Por que Jó atribui a Deus o seu sofrimento.
1. Não esqueça que Jó não sabia o que nós sabemos.
E se sua pergunta for: E porque Deus permitiu o sofrimento de Jó?
Lendo a biografia de Paulo eu encontrei essa resposta.
Eu descobri que há um propósito divino em cada sofrimento permitido por Deus.
Na vida dos filhos de Deus nenhum sofrimento é desperdiçado.
As vezes Deus nos permite passar por alguns sofrimentos para nos transformar em consoladores.
As vezes somente para nos ensinar a ser obedientes ou burilar o nosso caráter.
Paulo diz que até “Jesus aprendeu pelas coisas que sofreu” (Hebreus 5: 8).
EGW em uma de suas citações adiciona vários motivos: “Deus permite que as provações assaltem o seu povo, afim de que pela sua constância e obediência possam eles mesmos enriquecer espiritualmente, e possa o seu exemplo ser uma fonte de força aos outros.” (PP. 137)
Paulo justifica seu sofrimento dizendo: “E para que não me ensoberbecesse, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exaltasse.” (II Coríntios 12:7)
Segundo Paulo Deus tem um plano em tudo o que nos acontece. (as vezes ele revela e as vezes não - No caso de Paulo Deus revelou, no caso de Jó não)
Todo cristão precisa acreditar que nesse mosaico da vida Deus trabalha para nosso bem.
Até mesmo quando Ele nos matricula na escola do sofrimento.
Todos nós caminhamos entre as bênçãos de Deus e as bofetadas de Satanás.
E acreditem: até mesmo os espinhos na carne têm um propósito.
E se não dá para compreender, confie.
E se algumas vezes estiver difícil confiar lembre-se do que Deus disse a Paulo: “a minha graça te basta”.
Ilustração: Quando Albert Einstein veio a América pela primeira vez, os repórteres perguntaram a sua esposa: “a senhora compreende a complexa teoria da relatividade pela qual seu marido é tão famoso no mundo? – Ela respondeu: Eu não compreendo a teoria, mas compreendo o meu marido.”
Ilustração: Certo casal foi visitar uns amigos pela primeira vez tendo em mãos apenas um pequeno pedaço de papel com o endereço. Ao chegarem ao suposto endereço, a mulher declarou: Eles moram na primeira rua a direita. O marido discordou afirmando: é na segunda rua a esquerda. A mulher então declarou ao marido que tinha consultado um mapa antes de sair de casa. O marido não se deu por vencido e exclamou: você deve ter olhado o mapa errado. A mulher se defendeu, mas o marido afirmou eu estou certo. Ele entrou então na segunda rua e descobriu que estava errado. Deu então meia volta no carro e entrou na primeira rua a direita e descobriu que a esposa estava certa. A esposa aí optou por ficar calada, mas o marido logo em seguida perguntou: Se você tinha tanta certa por que não insistiu mais? – A esposa então respondeu: Estávamos a ponto de discutir e isso iria estragar a nossa noite – percebi que eu estava diante de uma grande escolha: ter razão ou ser feliz, então eu fiz a opção de ser feliz.
Alguns casais sofrem por que querem ter razão, deveriam se perguntar: O que é mais importante ter razão ou ser feliz? São alguns problemas simples como esse que gera tantas tristezas no casamento.
Eu quero dizer para todos os casais que o que destrói a maioria dos casamentos não são os grandes problemas, são os pequenos problemas acumulados ao longo dos anos que por fim tornam-se bombas de efeito retardado.
Antes de concluir esse tema eu preciso deixar claro outros pontos.
Para entender a questão do sofrimento precisamos falar de suas 5 origens:
1. O mal uso do livre arbítrio.
2. A perversidade de outro ser humano.
3. O desrespeito as leis naturais. “atos de Deus”.
4. A presença do mal e de Satanás.
5. E a permissão de Deus.
Se você está sofrendo nesse momento eu lhe faço a seguinte pergunta: Qual a origem do seu sofrimento?
Em qual dessas origens se enquadra o sofrimento de Jó?
Eu tenho pra mim que Jó sofreu para ser transformado em consolador.
Quantos pais enlutados já foram consolados pelo testemunho de Jó? Quantos pais na falência encontraram força na biografia de Jó? Quantos amigos feridos encontraram força no exemplo de Jó?
Deus permitiu a Satanás tocar em Jó - mas o que Satanás ganhou com isso?
Ele só conseguiu colocar Jó mais perto de Deus. No final da história, Jó exclama: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem.” (Jó 42: 5)
Vou fazer agora uma pergunta difícil: Quando o sofrimento leva a morte quem lucra com isso?
Acreditem, quando Deus quer, até Satanás trabalha para Ele. – Já leram o que Isaías fala sobre a morte do justo? “... pois o justo é levado antes que venha o mal e entra na paz; descansam no seu leito os que andam em retidão.” (57: 1 e 2)
Ouvi certa vez uma frase curiosa do Pr. Fernando Iglesias: “Quando Deus tem que escolher salvar para essa vida e salvar para vida eterna ele sempre escolhe a segunda opção.”
Bárbara Johnson, uma Americana que ficou famosa pelo que escreveu quando descobriu que estava com câncer, disse em sua última biografia: “Se soubéssemos tudo o que Deus está preparando para o futuro dos justos na hora de sua morte bateríamos palmas em vez de chorar.”
A morte de um cristão não representa a vitória de Satanás, representa a vitória de Cristo.
II. O SEGUNDO ROUND.
A biografia de Jô apresenta dois Round. (o segundo round começa no capítulo 2 verso 2)
Deus pergunta, Satanás dá a mesma resposta e Deus amplia o elogio em favor de Jó. (2: 3)
Satanás inconformado pede uma segunda chance - Deus permite com a seguinte ressalva – “poupe-lhe a vida”.
Quando leio esse verso percebo que o conflito entre o bem e o mal é muito mais complexo do que nós imaginamos.
Você também sabe tudo o que aconteceu no segundo round. (Satanás usou a esposa de Jó e seus próprios amigos)
Veja o que a esposa de Jó lhe disse: “Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre.” (2: 9)
Veja a resposta de Jó para sua esposa: “Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?” (2: 10) (Para Jó quem blasfema contra Deus é louco)
Li noutro dia a seguinte frase: “Não despreze as bênçãos simplesmente porque elas não estão embrulhadas da maneira como você esperava.”
CONCLUSÃO: Todos nós conhecemos as duas perguntas mais comuns no território de Jó. (Por que? E Para Que?)
Mas Jó é o autor da terceira pergunta? (Até quando?)
Ele mesmo responde: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro de mim.” (19: 25 a 27)
Cada pessoa com quem convivemos está travando algum tipo de batalha na vida ou na família. (para todas elas existe a esperança de Jó)
A biografia de Jó nos ajuda a entender que para qualquer dificuldade na vida existe uma razão que escapa do nosso entendimento.
O fim dessa história revela a vitória esmagadora de Deus.
A história de Jó representa a vitória de todas as famílias que sofrem nessa terra, um dia elas receberão muito mais do que tudo que perderam, receberão seus entes queridos, seus bens e uma vida imortal.
A biografia de Jó termina com uma premiação: Deus dá a Jó 10 novos filhos - 7 homens e três misses oriente - toda a riqueza em dobro - mais 140 anos de vida - eu lia esse texto e pensava que o total dos anos de Jó tinham sido 140 - numa época em que a média de vida era 120 - descobri que foram mais 140 – sendo assim eu imagino que Jó viveu aproximadamente 210 anos.
A história de Jó e de sua família representa a vitória de todas as famílias que sofrem nessa terra, um dia elas receberão muito mais do que tudo que perderam, receberão seus entes queridos, seus bens e uma vida imortal.
Todos nós podemos aprender muito sobre a biografia de Jó.
Jó profetizou sobre a volta de Jesus, sobre a ressurreição dos justos e sobre a transformação do corpo corruptível em corpo incorruptível. (19: 25 a 27)
Jó se apegou a essas verdades no momento em que seu sofrimento era mais intenso.
Jó nos ensina que no calor da provação devemos nos apegar as promessas de Deus.
Jó nos ensina que: “As vitórias dos ímpios não são necessariamente vitória e o sofrimento dos justos não são necessariamente derrota.” A. Bullon
APELO: Será que eu falei hoje para alguma família que está pisando no território de Jó? Será que eu falei para algum casal que está pisando no território de Jó?
Será que eu falei para algum esposo ou esposa que está pisando no território de Jó?
Será que eu falei para algum filho que esta pisando no território de Jó?
Será que eu falei para algum pai que está pisando no território de Jó?
Se alguma família que me ouviu está pisando agora no território de Jó, aí onde você está curve sua fronte, eu quero pedir a Deus em oração que lhe dê a esperança de Jó.
Eu li noutro dia um pensamento curioso de C. S. Lewis, e para finalizar quero deixar esse pensamento com você, esse pensamento diz que: “Deus sussurra nos nossos momentos de alegria e grita em nossos momentos de dor”.
Agora chegou a hora de nossas duas perguntas interativas:
O que foi mais importante para você no tema de hoje?
Quem é de fato o originador do sofrimento?